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Sustentabilidade começa com diálogo: por que empresas que ouvem vão mais longe

  • Foto do escritor: Bruna Silva
    Bruna Silva
  • 8 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

A comunicação de mão dupla é um conceito clássico da administração, mas nunca esteve tanto em evidência quanto agora. Mais do que transmitir informações, comunicar-se de forma eficaz significa ouvir, dialogar e responder aos diferentes públicos de interesse, reconhecendo que a comunicação da empresa não só impacta, mas também é, na mesma medida, impactada pelos interesses dos stakeholders.

À medida que a confiança se torna um ativo raro, a sustentabilidade corporativa nasce, antes de tudo, da capacidade de ouvir. Mais do que transmitir mensagens, empresas que realmente dialogam criam pontes com seus públicos, constroem relações de confiança e se adaptam com mais agilidade aos desafios do presente. Embora pareça simples, transformar a escuta em prática cotidiana ainda é um desafio real para muitas organizações — e é justamente aí que mora a diferença entre sobreviver e ir mais longe.


Por que ainda precisamos falar sobre isso?


Apesar de amplamente reconhecida, a comunicação de mão dupla ainda encontra barreiras para sua implementação consistente. Entre os principais obstáculos estão questões culturais, falta de treinamento, pressão por resultados imediatos e a dificuldade de adaptar práticas de comunicação em um ambiente de negócios cada vez mais dinâmico e complexo. Segundo um estudo da Edelman¹, apenas 51% dos brasileiros confiam que as empresas atuam corretamente — e a confiança nas instituições, de modo geral, segue em queda. O relatório aponta que a falta de escuta ativa e transparência alimenta o ressentimento e a desconfiança, especialmente em contextos de polarização e mudanças rápidas.


A comunicação eficaz é um dos pilares para a resiliência e a longevidade empresarial. Em tempos de disrupção tecnológica, instabilidade geopolítica e pressão por resultados ESG, a capacidade de dialogar com diferentes stakeholders se torna diferencial competitivo e condição para a sustentabilidade dos negócios.


Os três parâmetros da comunicação de mão dupla

A comunicação de mão dupla se sustenta em três pilares principais:


1. Escuta ativa

Empresas que praticam a escuta ativa dedicam tempo e recursos para ouvir seus stakeholders — clientes, colaboradores, investidores, fornecedores e a sociedade. Essa escuta vai além de pesquisas de satisfação: envolve criar canais abertos, promover conversas genuínas e considerar o feedback na tomada de decisão. De acordo com a Amcham², 44% das empresas já envolvem stakeholders nas decisões estratégicas, mas ainda há espaço para evoluir, especialmente na integração entre áreas e na valorização de diferentes vozes.


2. Transparência e resposta

Ouvir é fundamental, mas responder de forma transparente e honesta é o que constrói confiança. 51% dos consumidores assumem que uma marca “não faz nada ou está escondendo algo” se não comunica suas ações em temas relevantes. A transparência, portanto, não é apenas uma demanda ética, mas uma expectativa de mercado. Empresas que comunicam de forma clara seus desafios, avanços e limitações tendem a fortalecer sua reputação e engajamento.


3. Engajamento contínuo

A comunicação de mão dupla não é um evento pontual, mas um processo contínuo. Manter o diálogo aberto, revisitar temas importantes e adaptar estratégias conforme as mudanças do ambiente são práticas essenciais para fortalecer relacionamentos e antecipar riscos. O IBGC destaca que conselhos de administração mais eficazes são aqueles que priorizam uma comunicação frequente e transparente com a alta liderança e os stakeholders, criando uma cultura sólida de confiança e respeito.


Comunicação, confiança e sustentabilidade: dados que reforçam a urgência

  • Confiança em queda: apenas 51% dos brasileiros confiam nas empresas, e a confiança nas instituições segue em declínio. O ressentimento e a percepção de que empresas e governo atendem apenas a grupos seletos aumentam a pressão por mais diálogo e transparência.

  • Participação dos stakeholders: 44% das empresas já envolvem stakeholders nas decisões estratégicas, mas apenas 48% realizam benchmarking e avaliações externas, indicando que muitas decisões ainda não são baseadas em dados comparáveis e confiáveis.

  • Impacto na reputação e nos resultados: empresas maduras em sustentabilidade percebem impactos positivos em reputação (87%), acesso a novos mercados (82%) e diferenciação da oferta de valor (75%). Esses resultados estão diretamente ligados à capacidade de dialogar e responder às expectativas dos públicos de interesse.

  • Tendências globais: um relatório da Ipsos³ aponta que, em um mundo cada vez mais polarizado e sobrecarregado de informações, as pessoas buscam marcas e organizações que sejam autênticas, transparentes e alinhadas a seus valores. A comunicação de mão dupla é vista como caminho para reconstruir confiança e engajar públicos diversos.


Como avançar na prática?

  • Capacite lideranças e equipes para a escuta ativa e o diálogo transparente.

  • Crie e fortaleça canais de comunicação bidirecional, internos e externos.

  • Inclua o feedback dos stakeholders na formulação de estratégias e políticas.

  • Comunique não só conquistas, mas também desafios e aprendizados.

  • Monitore e avalie continuamente a efetividade da comunicação, ajustando práticas conforme necessário.


Construir relacionamentos sólidos no mundo dos negócios não é fácil, mas com escuta ativa, transparência e engajamento contínuo, o caminho se torna mais simples e eficaz. Em um cenário de desconfiança e mudanças aceleradas, a comunicação de mão dupla é mais do que uma boa prática: é uma necessidade estratégica para empresas que desejam prosperar com responsabilidade.


Fonte dos dados:

¹ Edelman Trust Barometer 2025

² Panorama Sustentabilidade Corporativa 2025

³ Ipsos Global Trends 2024

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