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COP30: compromissos climáticos que reforçam a sustentabilidade na estratégia empresarial

  • Foto do escritor: Bruna Silva
    Bruna Silva
  • 3 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura

A COP30 marca o início de uma nova fase: a implementação. Com o Pacote Belém, um conjunto de 29 decisões, o debate global sobre clima se traduz em metas concretas que vão redefinir estratégias corporativas. Entre os destaques estão o triplo do financiamento para adaptação até 2035, mecanismos inovadores para proteção de florestas e diretrizes para inclusão social — reforçando um cenário em que sustentabilidade é estratégia de negócio. Para as empresas, isso significa agir agora: integrar métricas de adaptação, explorar oportunidades de financiamento verde e alinhar-se às exigências globais de transparência.


As decisões da conferência moldarão custos, riscos e oportunidades nos próximos anos. Não é mais novidade que risco climático é risco de negócio: eventos extremos já causaram perdas econômicas globais de US$ 368 bilhões em 2024¹, e no Brasil, enchentes no RS geraram prejuízos de R$ 12,2 bilhões². Esses impactos afetam desde cadeias de suprimentos e logística até reputação.


Principais acordos
  • Financiamento climático: compromisso de triplicar recursos para adaptação até 2035, com foco em países em desenvolvimento. A Climate Policy Initiative (CPI) e o Grantham Research Institute estimam que serão necessários US$ 3,1 a 3,5 trilhões anuais até 2035, sendo 40% provenientes do setor privado — um salto frente aos atuais US$ 30 bilhões anuais em fluxos efetivos.

  • Meta Global de Adaptação: 59 indicadores voluntários para setores críticos como água, saúde, infraestrutura e ecossistemas, sinalizando maior exigência de métricas e transparência.

  • Agenda da Ação: 30 eixos prioritários, incluindo o compromisso global de quadruplicar a produção de combustíveis sustentáveis.

  • Fundo Florestas Tropicais para Sempre - Tropical Forest Forever Facility (TFFF): iniciativa brasileira para captar US$ 125 bilhões e remunerar países que preservam florestas, com engenharia financeira inovadora que atrai capital privado.

  • Inclusão social e governança: fortalecimento do papel de comunidades indígenas e plano global para ampliar liderança feminina na agenda climática.


Impactos diretos para o mundo corporativo

  • Transição energética: setores intensivos em carbono (energia, transporte, siderurgia, cimento) enfrentarão pressão regulatória e barreiras comerciais, como o CBAM da União Europeia, que já exige rastreabilidade de emissões.³

  • Mercado de carbono: avanço das regras de integridade e governança valoriza créditos de alta qualidade. Empresas que investirem em reflorestamento, agricultura regenerativa e soluções baseadas na natureza terão acesso privilegiado a financiamento verde.

  • Regulação e compliance: normas IFRS S1 e S2 serão obrigatórias no Brasil a partir do ano-base 2026, exigindo relatórios robustos sobre riscos climáticos e financeiros. A interoperabilidade com taxonomias internacionais será essencial para manter competitividade.

  • Escopo 3: foco crescente nas emissões da cadeia de valor. Empresas que não mapearem e reduzirem essas emissões correm o risco de perder acesso a cadeias globais.


Oportunidades estratégicas
  • Financiamento verde: bancos privados brasileiros já anunciaram compromissos de R$ 350 bilhões até 2025 para projetos sustentáveis. Iniciativas como o TFFF e plataformas globais de adaptação podem destravar recursos para empresas que apresentem projetos escaláveis.

  • Inovação e competitividade: o Brasil tem potencial para se tornar um hub global de descarbonização, com retorno estimado de US$ 1 trilhão ao PIB até 2030 e geração de 3 milhões de empregos verdes.


O que fazer agora

  1. Revisar metas de descarbonização e alinhar-se às NDCs e padrões internacionais.

  2. Mapear riscos climáticos e integrar planos de adaptação à governança corporativa.

  3. Investir em governança de dados, rastreabilidade e transparência, preparando dados para o reporte de informações financeiras de sustentabilidade.

  4. Explorar oportunidades de financiamento verde e parcerias para projetos regenerativos.

  5. Mapear e reduzir as emissões indiretas (Escopo 3) ao longo da cadeia de valor para atender às exigências globais.


Os compromissos firmados na COP30 não são apenas diretrizes globais: eles definem o novo padrão de competitividade. O aumento do financiamento climático, a Meta Global de Adaptação e a valorização de créditos de carbono de alta integridade criam oportunidades para empresas que investirem em inovação e rastreabilidade. Ao mesmo tempo, normas como IFRS S1 e S2 e a pressão por redução de emissões — especialmente no Escopo 3 — exigem integração da sustentabilidade à governança corporativa. Quem alinhar suas estratégias a esses acordos estará melhor posicionado para acessar capital, reduzir riscos e liderar mercados em transição.



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